Avaliação de fatores preditores no desenvolvimento do dedo em gatilho em pacientes com diabetes mellitus do tipo 2
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Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia
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Objetivo: O dedo em gatilho é um fenômeno complexo relacionado à incongruência entre o volume dos tendões flexores da mão e o estreitamento da primeira polia anular. Esta condição apresenta uma prevalência significativamente maior em pacientes com diabetes (até 20%), em comparação à população em geral. Fatores como obesidade, dislipidemia, hiperglicemia e medicações de uso contínuo, como as estatinas e hipovitaminose D foram associados a alterações nos tendões. Trata-se de um estudo retrospectivo, de corte transversal, através da análise de prontuários médicos eletrônicos. Os critérios de inclusão incluíam o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 em não uso de insulina atendido na clínica de endocrinologia entre 2017 e 2021, com período mínimo de acompanhamento de 5 anos e idade igual ou superior a 65 anos. Foram excluídos os participantes que não atenderam a esses critérios ou que apresentaram dados incompletos nos prontuários. As variáveis analisadas foram gênero, altura, peso, índice de massa corporal, idade do diagnóstico do diabetes mellitus e do dedo em gatilho, além de parâmetros bioquímicos, pressão arterial, realização de atividade física ou sedentarismo, procedimentos cirúrgicos, presença de doenças associadas e uso de medicações. Entre os 2.956 prontuários analisados, 705 participantes preencheram os critérios de inclusão. A frequência do dedo em gatilho foi de 13,8%, sendo o dedo anular foi o mais frequentemente afetado pelo gatilho. O estudo revelou associação entre elevados índices de triglicerídeo-glicose, triglicerídeo e lipoproteína de baixa densidade com o diagnóstico do dedo em gatilho na população em geral, sendo significativo também na análise individual de homens e mulheres. Além desses, nos homens, o diagnóstico de dedo em gatilho apresentou associação positiva quanto ao nível de colesterol, IMC e relação negativa com o uso do bloqueador do receptor de angiotensina. Já em mulheres, glicose, hemoglobina glicada, colesterol, e baixos níveis de lipoproteína de alta densidade foram associados ao diagnóstico de dedo em gatilho. A necessidade de intervenção cirúrgica para o dedo em gatilho mostrou associação com níveis mais baixos de pressão arterial diastólica, menor idade no diagnóstico do dedo em gatilho, diagnóstico de múltiplos dedos em gatilho e uso de antidepressivos. Homens com maiores níveis de índice triglicerídeo-glicose, lipoproteína de baixa densidade e colesterol foram mais propensos à cirurgia, enquanto mulheres com menores níveis de pressão arterial sistólica e diastólica, além do uso de antidepressivos e colecalciferol, também apresentaram associação com a necessidade de intervenção cirúrgica, enquanto o uso de atorvastatina demonstrou uma associação negativa. Em síntese, este estudo destaca a necessidade de um cuidadoso controle não apenas do perfil glicêmico, mas também dos parâmetros lipídicos, do peso corporal e da promoção da atividade física em pacientes com diabetes tipo 2, visando prevenir o desenvolvimento do dedo em gatilho e a subsequente necessidade de intervenção cirúrgica. Ademais, instiga a necessidade de investigações adicionais para aprofundar a compreensão da relação entre o dedo em gatilho e o uso de medicamentos, como sulfonilureias, bloqueadores do receptor de angiotensina, atorvastatina, antidepressivos e colecalciferol.
Objetive: Trigger finger is a multifaceted condition stemming from the disparity between the volume of flexor tendons in the hand and the constriction of the first annular pulley. This phenomenon exhibits a notably higher prevalence among diabetic patients, reaching up to 20%, in contrast to the general populace. Factors including obesity, dyslipidemia, hyperglycemia, and the continuous utilization of medications such as statins and hypovitaminosis D have been implicated in tendon alterations. This study, conducted retrospectively and cross-sectionally, scrutinized electronic medical records. Inclusion criteria encompassed individuals diagnosed with type 2 diabetes mellitus, excluding insulin users, who attended an endocrinology clinic between 2017 and 2021, with a minimum follow-up period of 5 years and aged 65 years or older. Exclusion criteria comprised participants failing to meet these criteria or possessing incomplete medical record data. Variables examined included gender, height, weight, body mass index, age at diagnosis of diabetes mellitus and trigger finger, biochemical parameters, blood pressure, physical activity or sedentary lifestyle, surgical procedures, presence of associated diseases, and medication usage. Among the 2,956 medical records scrutinized, 705 participants fulfilled the inclusion criteria. The prevalence of the trigger finger stood at 13.8%, with the ring finger being the most commonly affected. The study uncovered associations between elevated triglyceride-glucose, triglyceride, and low-density lipoprotein levels with trigger finger diagnosis in the general population, a significance mirrored in gender-specific analyses. Additionally, in men, trigger finger diagnosis correlated positively with cholesterol levels and BMI and inversely with the use of angiotensin receptor blockers. In women, glucose, glycated hemoglobin, cholesterol, and low levels of high-density lipoprotein were associated with trigger finger diagnosis. The necessity for surgical intervention in trigger finger cases was linked to lower diastolic blood pressure levels, younger age at trigger finger diagnosis, the diagnosis of multiple trigger fingers, and antidepressant usage. Men with higher triglyceride-glucose index, low-density lipoprotein, and cholesterol levels exhibited a higher likelihood of requiring surgery. In contrast, women with lower systolic and diastolic blood pressure levels, as well as the usage of antidepressants and cholecalciferol, were also associated with the need for surgical intervention. Conversely, atorvastatin usage demonstrated a negative correlation. In summary, this study underscores the importance of meticulous control over glycemic profiles, lipid parameters, and body weight and encouraging physical activity among type 2 diabetic patients, aiming to forestall trigger finger development and subsequent surgical needs. Furthermore, it emphasizes the necessity for further investigations to deepen understanding regarding the relationship between trigger finger and medication usage, including sulfonylureas, angiotensin receptor blockers, atorvastatin, antidepressants, and cholecalciferol.
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Citation
Souza Neto, Junot Hortêncio de. Avaliação de fatores preditores no desenvolvimento do dedo em gatilho em pacientes com diabetes mellitus do tipo 2. Dissertação [Mestrado em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético] Rio de Janeiro, 2024.