Avaliação do grau de erro do cirurgião em relação ao comprimento dos membros inferiores após artroplastia total do quadril

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Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia

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Objetivo: A discrepância de tamanho entre os membros inferiores após a artroplastia total do quadril (ATQ) pode resultar em alteração da mecânica da marcha, dor lombar, necessidade do uso de palmilhas, além de contribuir para piores resultados nos escores funcionais, representando um dos principais motivos de litígio relacionados a esse procedimento. A indústria tem buscado oferecer aparatos tecnológicos como a robótica e a navegação computadorizada com intuito de aumentar a acurácia de diversas variáveis que envolvem a artroplastia total do quadril. No entanto, além da longa curva de aprendizado, poucos centros especializados em cirurgia do quadril possuem tal ferramenta e o sistema de saúde possivelmente não comporta seu uso sistemático. Diante disso, foi proposto investigar o grau de erro dos cirurgiões, em estágios diferentes de treinamento, sobre a diferença de comprimento dos membros inferiores após ATQ sem uso de recurso tecnológico de robótica ou navegação. Para isso foi realizado um estudo com 11 cirurgiões que operaram 119 pacientes com ATQ no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) para avaliação da percepção do cirurgião acerca da diferença de comprimento dos membros inferiores ao término da cirurgia. O Grupo 1 foi composto por cirurgiões com até 10 anos de experiência em cirurgia do quadril e o Grupo 2 foi composto por cirurgiões com mais de 15 anos de experiência. A média de erro acerca da diferença no tamanho dos membros inferiores foi similar entre os grupos (Grupo 1: 0,52 cm e Grupo 2: 0,53 cm, p valor = 0,39). Pela dispersão grande dos dados foi calculada a mediana de 0,49 cm (P25-P75: 0,15-0,69) para o grupo 1 e 0,37cm (P25-P75: 0,20-0,73) para o grupo 2 (p valor=0,8). Nos casos que apresentavam encurtamento prévio igual ou maior que 3,0 cm no lado a ser operado, ambos os grupos apresentaram erro aumentado com significância estatística. O grupo 1 variou o erro médio de 0,44cm para 0,85cm respectivamente na ausência e presença desta lesão (p=0,02), enquanto que o grupo 2 variou de 0,47 cm para 0,91 cm (p=0,02). Nos casos que apresentavam deformidade femoral por uso prévio de implantes de osteossíntese, o grupo 1 apresentou aumento de erro médio de 0,47 cm para 0,90 cm (p= 0,03). Considerando a mediana, na presença dessa deformidade, houve diferença de erro entre os grupos, sendo o grupo 1 com valor de 0,74 cm (P25-P75: 0,52-1,53) e 0,34 cm (P25-P75: 0,21-0,74) do grupo 2 (p=0,03). Em situações especiais, como encurtamento prévio maior que 3,0 cm, os cirurgiões de ambos os grupos tiveram acentuado aumento de erro. De forma geral foi observado que não há diferenças significativas na percepção de diferença dos membros inferiores em relação ao tempo de experiência do cirurgião. Entretanto na presença de deformidade por uso prévio de implantes, a experiência favorece uma melhor percepção da diferença de membros, evidenciando a importância da curva de aprendizado. Objetive: The difference in length of the lower limbs after total hip arthroplasty (THA) can result in altered gait mechanics, low back pain, the need to use insoles, as well as contributing to worse results in functional scores, representing one of the main reasons of litigation related to this procedure. The industry has sought to offer technological devices such as robotics and computerized navigation in order to increase the accuracy of several variables involving total hip arthroplasty. However, in addition to the long learning curve, few centers specializing in hip surgery have this tool and the healthcare system may not support its systematic use. With this in mind, we set out to investigate the degree of error among surgeons at different stages of training regarding the difference in lower limb length after THA without using robotic or navigation technological. To this end, a study was carried out with 11 surgeons who operated on 119 THA at the National Institute of Traumatology and Orthopedics (INTO) to assess the surgeon's perception of the difference in length of the lower limbs at the end of the surgery. Group 1 was made up of surgeons with up to 10 years of experience in hip surgery and Group 2 was made up of surgeons with more than 15 years of experience. The mean error for the difference in length of lower limbs was similar between the groups (Group 1: 0.52 cm and Group 2: 0.53 cm, p value = 0.39). Due to the wide dispersion of the data, a median of 0.49 cm (P25-P75: 0.15-0.69) was calculated for group 1 and 0.37 cm (P25-P75: 0.20-0.73) for group 2 (p value=0.8). In cases with previous shortening equal to or greater than 3.0 cm on the side to be operated, both groups showed an increased error with statistical significance. Group 1 varied the average error from 0.44 cm to 0.85 cm respectively in the absence and presence of this lesion (p=0.02), while group 2 varied from 0.47 cm to 0.91 cm (p=0.02). In cases with femoral deformity due to previous use of osteosynthesis implants, group 1 showed an increase in mean error from 0.47 cm to 0.90 cm (p= 0.03). Considering the median, in the presence of this deformity, there was a difference in error between the groups, with group 1 having a value of 0.74 cm (P25- P75: 0.52-1.53) and 0.34 cm (P25-P75: 0.21-0.74) from group 2 (p=0.03). In special situations, such as previous shortening greater than 3.0 cm, surgeons in both groups had a marked increase in error. In general, there were no significant differences in the perception of difference in length of lower limbs in relation to the surgeon's experience level. However, in the presence of deformity due to previous use of implants, experience favours a better perception of the difference in length of lower limbs, highlighting the importance of the learning curve.

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Citation

Regado, Eduardo Rinaldi Regado. Avaliação do grau de erro do cirurgião em relação ao comprimento dos membros inferiores após artroplastia total do quadril. Dissertação [Mestrado em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético] Rio de Janeiro, 2023.

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